Você fez uma ressonância do joelho e o laudo veio cheio de termos como “lesão condral”, “fissura meniscal”, “osteófitos”. A conclusão parece óbvia: achei a causa da minha dor. Mas uma revisão de 63 estudos mostra que essa lógica está errada na maioria das vezes.
O que a ciência mostra sobre achados de artrose em ressonância de joelho
Uma revisão publicada no British Journal of Sports Medicine em 2019 reuniu dados de mais de 5.000 joelhos de adultos sem dor e sem histórico de lesão. Todos fizeram ressonância. O objetivo era simples: ver quantas pessoas sem nenhum sintoma tinham alterações no exame.
Os números são claros. Entre pessoas com mais de 40 anos, 43% tinham defeitos na cartilagem e 19% tinham lesões no menisco; os osteófitos, os chamados bicos de papagaio, também ficavam mais comuns com a idade. E nenhuma dessas pessoas tinha dor. Em jovens abaixo de 40 anos, os números são menores, mas ainda assim 11% já tinham alterações na cartilagem.
Por que sua ressonância pode não explicar sua dor no joelho
Esses achados são comuns em joelhos normais. Fazem parte do envelhecimento. Encontrar uma “lesão” na ressonância não significa que ela seja a culpada pela sua dor.
Os próprios autores concluem que esses achados de imagem precisam ser interpretados junto com o quadro clínico na hora de decidir o tratamento. Se a alteração aparece em pessoas sem dor, por que ela explicaria, sozinha, a dor em outras?
Como avalio dor no joelho no meu consultório
Quando um paciente chega com dor no joelho e ressonância mostrando artrose, não assumo que uma coisa explica a outra. Avalio há quanto tempo dói, em quais movimentos piora, como está a força muscular, o sono, a atividade física. A imagem é uma peça do quebra-cabeça, não o diagnóstico.
Ressonância mostra estrutura. Não mostra dor.
Recebeu um laudo de ressonância cheio de alterações e não sabe se precisa de tratamento? Agende uma avaliação.
Dr. Mauro Choi, médico ortopedista, especialista em cirurgia de ombro e cotovelo. CRM 146874/SP, RQE 51757.
Referência
Culvenor AG, Øiestad BE, Hart HF, Stefanik JJ, Guermazi A, Crossley KM. Prevalence of knee osteoarthritis features on magnetic resonance imaging in asymptomatic uninjured adults: a systematic review and meta-analysis. British Journal of Sports Medicine, 2019;53(20):1268-1278. DOI: 10.1136/bjsports-2018-099257