Ressonância da coluna cervical alterada: quando o exame assusta mais do que deveria

Você fez uma ressonância da coluna cervical e o laudo veio com termos como “degeneração discal”, “abaulamento”, “protrusão” ou até “compressão medular”. A primeira reação é imaginar que algo grave está acontecendo. Mas a ciência mostra que essas alterações são extremamente comuns em pessoas que nunca sentiram dor no pescoço.

O que os estudos mostram sobre alterações na ressonância cervical

Um estudo clássico publicado no Journal of Bone and Joint Surgery avaliou a ressonância cervical de 497 pessoas completamente assintomáticas. Nenhuma delas tinha dor no pescoço, dor no braço ou qualquer histórico de problema na coluna cervical que precisasse de tratamento.

Os resultados impressionam. Entre pessoas na casa dos 20 anos, 12% a 17% dos discos já tinham sinais de degeneração na ressonância. Acima dos 60 anos, esse número chegou a quase 90%. Protrusões discais posteriores, aquelas que “empurram” em direção à medula, apareceram em proporção crescente com a idade. E 7,6% dos participantes tinham protrusões com compressão da medula espinhal, a maioria acima dos 50 anos, sem sentir absolutamente nada.

Os níveis mais afetados foram C5-C6, seguido de C6-C7 e C4-C5. Exatamente os mesmos níveis que aparecem alterados nos laudos de pacientes sintomáticos.

Como saber se o achado da ressonância cervical explica sua dor

Se você está com dor no pescoço ou no braço e fez uma ressonância, é natural querer associar uma coisa à outra. Mas esse estudo mostra que a maioria das alterações que aparecem no laudo existe há anos, provavelmente antes de qualquer sintoma começar.

Isso não significa que a ressonância é inútil. Significa que ela precisa ser interpretada junto com a história clínica e o exame físico. A pergunta que importa não é “o que aparece no exame?”, mas sim “esse achado explica o que eu estou sentindo?”.

Como interpreto exames de coluna cervical no meu consultório

Quando um paciente chega com um laudo de ressonância cervical cheio de achados, não assumo que tudo ali é patológico. Comparo com a idade, com a localização da dor, com os testes neurológicos, com a forma como os sintomas começaram. Em muitos casos, a alteração mais assustadora do laudo não tem relação com o problema atual.

Degeneração discal aos 60 anos é como cabelo branco: quase todo mundo tem.

Quer entender o que a sua ressonância cervical realmente significa para o seu caso? Agende uma avaliação.

Dr. Mauro Choi, médico ortopedista, especialista em cirurgia de ombro e cotovelo. CRM 146874/SP, RQE 51757.

Referência

Matsumoto M, Fujimura Y, Suzuki N, Nishi Y, Nakamura M, Yabe Y, Shiga H. MRI of cervical intervertebral discs in asymptomatic subjects. Journal of Bone and Joint Surgery British Volume, 1998;80(1):19-24. DOI: 10.1302/0301-620x.80b1.7929

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